O Alquimista Cornelius Agrippa

Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim (1486-1535) foi um alquimista alemão, astrólogo, ocultista, médico, teólogo, escritor, soldado, filósofo.

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Tornou-se doutor em Leis e Física. Escreveu o livro ‘Filosofia das Artes Ocultas’, o qual o colocou na mira da Santa Inquisição por tratar de magia e ciências ocultas. Este é, talvez, o melhor compendio do ocultismo clássico, com inúmeras referências sobre magia, esoterismo e história do assunto com grande embasamento teórico e prático. Há quem afirme que esse livro seja uma universidade de conhecimento esotérico e, sem dúvidas, é um material a ser lido por todo aspirante aos conhecimentos ocultos antigos. Seus escritos foram traduzidos para muitos idiomas e reverenciados por muito tempo após sua morte.

Cornelius correu todos os riscos de ser um dos primeiros defensores dos direitos das mulheres, tendo-se manifestado contra o frenesi da caça às bruxas, em uma época em que tal posicionamento era considerado heresia.

Afirmou que “o arquiteto do universo deixa o poder de sua onipotência fluir através do mineral, das plantas, dos animais e, daí, para o homem”, reconhecendo a existência de um poder presente na natureza, que flui e pode ser utilizado pelos homens.

Foi um dos mais significativos ocultistas da história da humanidade, especialmente no período renascentista. Seu nome é referenciado em diversos compêndios e citado por inúmeros autores em tratados esotéricos e estudos herméticos.

Heinrich Cornelius nasceu na cidade de Colônia, Alemanha, em 14 de setembro de 1486. Adotou o nome Agrippa em uma homenagem ao fundador de sua cidade e teve uma educação privilegiada na qual pôde estudar idiomas, direito e ciências. Matriculou-se na Universidade de Artes de Colônia em meados de 1499. No entanto, não atingiu graduação na maior parte de sua vida acadêmica.

Nos primeiros anos do século XIV, em Paris, adotou o nome von Nettesheim, o qual atribuía-lhe uma certa condição de nobreza. Neste mesmo período, juntamente a um grupo de estudantes ocultistas, fundou uma sociedade que se dedicava ao estudo da cabala, astrologia e diversos ramos de magia. Em Dôle, no ano de 1509, trabalhando como professor de Hebreu e Teologia, Agrippa reuniu alguns equipamentos e material necessário para dar início a uma nova área de pesquisa: alquimia. Nesta época, foi acusado de herege devido seu comportamento e abordagem como professor.

Os próximos anos de sua vida são dedicados ao estudo e prática de Grande Obra. No entanto, não há registro de nenhum feito considerável, apesar de ter viajado pela Europa e ter acumulado uma significativa experiência ocultista durante este período. Em 1510, mantendo contato com Johannes Trithemius, deu início ao livro ‘De Philosofia Occulta’. Porém, seguindo a sugestão do próprio Trithemius, decidiu ocultar este trabalho para evitar mais perseguições por parte da Igreja. No ano seguinte, retornou à Colônia e integrou o corpo militar.

Na Universidade de Turim, em 1516, dissertou sobre teologia baseadas nas epístolas de São Paulo. Três anos mais tarde, em Metz (França), atuou como “advogado” de defesa de uma mulher acusada de feitiçaria pelo inquisidor local. Agrippa venceu a causa e ganhou fama.

Em 1520, na cidade de Genebra, passa a atuar com medicina através de ervas e poções elaboradas por ele mesmo. Neste período entra em contato com a doutrina do luteranismo e passa a acompanhá-la com interesse. Pouco tempo depois, em 1524, é convidado a ocupar a condição de médico da Rainha Mãe da corte do Rei Francis, na cidade de Lyon (França) e torna-se astrólogo da corte.

Porém, Agrippa foi abandonado pela corte quando, em uma interpretação astrológica, previu a queda do Reino. Então, desprezado pela nobreza de Lyon, vaga até chegar a Antuérpia e dar continuidade as suas atividades medicinais. Lá, após obter fama curando os cidadãos afetados pela peste, é impedido pelas autoridades de dar prosseguimento às atividades medicinais por não dispor de licença legal. Em seguida passa a atuar como historiador da corte do Rei Charles V. No entanto, em momento algum obteve muita prosperidade econômica.

No ano de 1527, concluiu seu trabalho ‘De incertitudine et vanitate scientiarum’. Esta obra é uma reunião de referências católicas combinadas com filosofia e ocultismo, mas, segundo o autor é uma “sátira da tristeza da ciência”.

Muda-se para Bruxelas em 1531 e a partir de meados de 1533, os registros sobre os fatos de sua vida tornam-se mais escassos. Sabe-se que Agrippa continuou sendo perseguido pelos inquisidores e por seus desafetos que influenciaram o Rei Charles V a condená-lo à morte sob a acusação de heresia. Entretanto, consegue fugir para a França. Lá, é capturado por soldados de Francis devido à mágoa de sua previsão astrológica elaborada anos antes. Através de sua influência no reino, consegue sua libertação e parte de volta à Lyon.

Agrippa nunca retornaria à Lyon. Há registros de que fora visto pela última vez na cidade de Grenoble em fevereiro de 1535 e que seu corpo repousa em um monastério da região. Posteriormente, no ano de 1600, uma edição bastante robusta de suas obras foi publicada em Lyon.

Tanto sua obra, contendo além dos compêndios citados, outros tantos tratados que influenciaram posteriormente os estudos do astrólogo inglês John Dee e do teólogo Giordano Bruno, quanto sua vida são repletas de lacunas. Grande parte do que é conhecido sobre Agrippa é baseado em registros autênticos feitos por ele mesmo ao longo de seus dias